Notas de Cozinha de Leonardo da Vinci

© ESD | João Costa

SINOPSE
Há um espaço empoeirado onde se amontoam engenhocas, memórias. Uma personagem atravessa esse lugar, examina todos os fragmentos. Procura ordenar, decifrar o que encontra e não lhe pertence. Formula suposições acerca da função de cada geringonça, faz as suas interpretações, engana-se. Tudo se transforma. Existe um potencial bélico em cada objecto corriqueiro.

A coreografia pretende recriar a atmosfera sugerida pela obra literária em que se inspira, o Codex Romanoff (o tratado sobre cozinha atribuido a Leonardo da Vinci). As impressões das anotações são transmitidas ao público, que observa de perto os gestos burlescos da personagem, num espaço comum, submersos num jogo de luz e sombra(s), onde quase que pode sentir o sentindo o cheiro do pó, sinal da passagem do tempo.

 

FESTA DA DANÇA | LISBOA
3 de Maio | a partir das 22h

Cozinha do PALÁCIO NACIONAL DE SINTRA | Sintra
17 de Maio | a partir das 21h

FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DE LISBOA
6 de Junho | às 14h

 

FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA
Designação do espectáculo| Notas de Cozinha de Leonardo da Vinci
Criação e interpretação| Diana Alves
Desenho de luz| Carlos Arr
oja
Produção executiva| Pedro Alves
Produção|teatromosca

 


 
SOBRE A COREOGRAFIA
O ponto de partida para esta criação é a reconstituição do universo temático de uma específica obra literária não ficcional, trabalhada coreograficamente. A peça é inspirada no Codex Romanoff, obra que fornece ao leitor diversas referências ao contexto artístico, social e ideológico da altura em que foi escrito. Da mesma forma que essas anotações do mestre italiano questionam uma série de actos do quotidiano e da vida em sociedade, e propõem inovações às regras instituídas ou alternativas ao comportamento dos convivas/comensais da corte, também o espectáculo pretende transmitir ao espectador a percepção da ”revisibilidade” das normas sociais, ao mesmo tempo que divulga uma das facetas menos conhecidas de Leonardo da Vinci, célebre pelo seu legado nas mais variadas áreas do conhecimento e da arte.

A (des)organização dos seus manuscritos, determina conceptualmente a estrutura fraccionária da peça: as várias secções que a compõem não apresentam uma sequência lógica entre si. De forma a criar um fio condutor que guie o espectador durante a representação, foi criada uma personagem que deambula por entre esses lugares/fragmentos e que neles se dissolve quando os recria, como se se tratassem de reminiscências da sua memória.

Encontrando correspondência entre as palavras e o movimento, sem, no entanto, pretender contar uma história, este solo apropria-se de material teatral e mimético, como gestos e vocalizações, pelas suas potencialidades expressivas e trata-o através das ferramentas da composição coreográfica, organizando-os dentro da linguagem da Dança, o que origina um objecto híbrido, caracterizado pela contaminação entre vários códigos artísticos.

São utilizados diferentes sistemas de significado, quer na mesma frase de movimento, quer no conjunto da composição. Trata-se de um jogo de signos, um exercício sobre linguagem que decorre de uma pesquisa de movimento em torno de uma estética caricatural e burlesca, que pretende recriar a imagética da obra literária em que se inspira. Nela são descritos ambientes de uma certa estranheza, hábitos rudes, sujidade, dando conta do imaginário grotesco que contagia toda a performance e que se procura imprimir na construção da personagem. Esta assume um carácter andrógino, passando essencialmente pela personificação de estados de espírito, comportamentos e descrições físicas feitas pelo autor, relacionando-se directamente com o espaço físico da performance e com os objectos cénicos.

O desenho de luz assume aqui um papel de destaque, buscando inspiração no Tratado de Pintura, de Leonardo da Vinci, procurando assimilar os traços que o caracterizam artisticamente. Assim, para cada espaço de apresentação é criado um desenho de luz diferente, baseado em regras e conceitos retirados da obra supracitada, tais como: utilizar o contorno das figuras para que o intérprete fique destacado ou esbatido no cenário; tornar a personagem mais expressiva através da luz; utilizar os reflexos; cenografar as sombras; ocultar e revelar elementos através da luz; usar a luz natural…

 





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