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Notas de Cozinha de Leonardo da Vinci
SINOPSE A coreografia pretende recriar a atmosfera sugerida pela obra literária em que se inspira, o Codex Romanoff (o tratado sobre cozinha atribuido a Leonardo da Vinci). As impressões das anotações são transmitidas ao público, que observa de perto os gestos burlescos da personagem, num espaço comum, submersos num jogo de luz e sombra(s), onde quase que pode sentir o sentindo o cheiro do pó, sinal da passagem do tempo.
FESTA DA DANÇA | LISBOA
Cozinha do PALÁCIO NACIONAL DE SINTRA | Sintra FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DE LISBOA
FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA
A (des)organização dos seus manuscritos, determina conceptualmente a estrutura fraccionária da peça: as várias secções que a compõem não apresentam uma sequência lógica entre si. De forma a criar um fio condutor que guie o espectador durante a representação, foi criada uma personagem que deambula por entre esses lugares/fragmentos e que neles se dissolve quando os recria, como se se tratassem de reminiscências da sua memória. Encontrando correspondência entre as palavras e o movimento, sem, no entanto, pretender contar uma história, este solo apropria-se de material teatral e mimético, como gestos e vocalizações, pelas suas potencialidades expressivas e trata-o através das ferramentas da composição coreográfica, organizando-os dentro da linguagem da Dança, o que origina um objecto híbrido, caracterizado pela contaminação entre vários códigos artísticos. São utilizados diferentes sistemas de significado, quer na mesma frase de movimento, quer no conjunto da composição. Trata-se de um jogo de signos, um exercício sobre linguagem que decorre de uma pesquisa de movimento em torno de uma estética caricatural e burlesca, que pretende recriar a imagética da obra literária em que se inspira. Nela são descritos ambientes de uma certa estranheza, hábitos rudes, sujidade, dando conta do imaginário grotesco que contagia toda a performance e que se procura imprimir na construção da personagem. Esta assume um carácter andrógino, passando essencialmente pela personificação de estados de espírito, comportamentos e descrições físicas feitas pelo autor, relacionando-se directamente com o espaço físico da performance e com os objectos cénicos. O desenho de luz assume aqui um papel de destaque, buscando inspiração no Tratado de Pintura, de Leonardo da Vinci, procurando assimilar os traços que o caracterizam artisticamente. Assim, para cada espaço de apresentação é criado um desenho de luz diferente, baseado em regras e conceitos retirados da obra supracitada, tais como: utilizar o contorno das figuras para que o intérprete fique destacado ou esbatido no cenário; tornar a personagem mais expressiva através da luz; utilizar os reflexos; cenografar as sombras; ocultar e revelar elementos através da luz; usar a luz natural…
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