Dor Fantasma
a partir de textos de Manuel Bastos

Desde 2007, o teatromosca vem apresentando um ciclo de espectáculos/apresentações dedicado ao tema da guerra colonial. Assim, em 2008, foram apresentadas três “fases preparatórias” do projecto teatral IGNARA#GUERRA COLONIAL, que culminará com a apresentação do espectáculo final homónimo em 2012.

Paralelamente, em 2009, será produzido o espectáculo Dor Fantasma, uma co-produção do teatromosca e do Teatro Focus, com estreia agendada para dia 20 de Novembro de 2009, no Estúdio Zero, no Porto. O espectáculo será reposto em Sintra, na Casa de Teatro de Sintra, nos dias 15 e 16 de Janeiro de 2010.

Neste espectáculo criado pelos três intérpretes (Filipe Araújo, Susana Gaspar e Mário Trigo), a partir de textos do ex-combatente Manuel Bastos, são apresentadas três personagens que relatam episódios da «sua guerra», avaliando-a até às suas ínfimas, imponderáveis consequências.

Os «fait-divers» do teatro de guerra- entenda-se, o conjunto de acontecimentos que, em meio do caos, instituem essa espécie de perverso «padrão de normalidade»- são permanentemente desmontados pelo olhar lúcido, clínico, distanciado das personagens, apostadas em transmutar o horror da guerra em material de reflexão política (apartidária) ou em exercício extremo de auto-conhecimento.


Dor Fantasma - Encenação
A encenação que se pretende para o projecto teatral denominado Dor Fantasma, terá por princípio fundamental circunscrever-se aos vectores dramatúrgicos emanentes dos textos escritos por Manuel Bastos.

Recorrendo à competência técnica e artística de dois actores, lançar-se-á sobre o espaço cénico uma invocação da realidade concreta em questão - a guerra colonial portuguesa e seus protagonistas.

Os elementos constituintes de cena, criteriosamente aí dispostos a fim de elaborarem uma narrativa dramática coerente, terão por norma fracturar os testemunhos/documentos reais legados pela história e seus contextos, vertendo-os para o espectador como ficção possível.

Por seu lado, o espectador reconhecerá nos conteúdos veiculados pelo espectáculo um fundo material germinado fora de palco, recebendo-o então como meio transmissor de denominadores comuns a todas as guerras.

Esta dialéctica fará então desdobrar a área cénica pelas diferentes imagens mentais derivadas da vivência empírica de cada um dos espectadores, optimizando assim o potencial literário de partida,  convertendo-o em prática teatral de uma comunidade que pretende reflectir o seu património histórico.


Sobre o autor
Manuel Correia de Bastos nasceu na vila de Aguim, no concelho de Anadia, em 1950.

Foi mobilizado para ex-colónia de Moçambique com o posto de furriel miliciano, no cumprimento do serviço militar obrigatório, onde chegou no dia 12 de Fevereiro de 1972 até ser gravemente ferido em combate no dia 4 de Junho de 1972, devido à deflagração de uma mina anti-pessoal.

Tem escrito crónicas sobre a guerra colonial especialmente no Jornal da Associação dos Deficientes das Forças Armadas, e mantém desde 2003 um dos mais antigos Blogs sobre a Guerra Colonial, O Cacimbo.

Embora a crítica especializada ainda não tenha «descoberto» este autor seminal, trata-se, sem dúvida, do ponto de vista literário, uma das vozes mais surpreendentes que têm, nos últimos anos, riscado a oferta editorial sobre o tema, ombreando, sem dúvida, com nomes tão fundamentais como António Lobo Antunes, Lídia Jorge, Manuel Alegre, Fernando Assis Pacheco, entre outros.

Da sua escrita pode destacar-se o modo como, glosando um tema tão «obsceno» como é a guerra (a sua, de um modo muito particular), consegue, munindo-se de metáforas límpidas e eficazes, atingir um lirismo de profundo fôlego filosófico de pendor filantrópico.

Sobre o encenador
Mário Trigo, fundador e Director Artístico da Associação Cultural Teatro Focus , tem vindo a trabalhar, de há seis anos a esta parte, textos sobre a guerra colonial. Em 2006, com efeito, fechou- com Companhia de Caçadores, em cena na Casa dos Dias da Água, em Lisboa (espectáculo contemplado com um apoio pontual do Instituto das Artes)- um ciclo de três encenações subordinadas ao tema (as outras duas foram Violeta- Puta de Guerra, em cena na Sala-Estúdio do Teatro da Trindade, em 2004; e Infa 72, no Teatro Taborda, 2002) todas em colaboração com o dramaturgo (e ex-combatente) Fernando Sousa. As suas encenações têm merecido a aclamação da crítica, pelo rigor, qualidade e coerência demonstrados.   

Estreia 20 de Novembro 2009 | 21.30h
ESTÚDIO ZERO | PORTO

No dia 19 de Novembro, decorrerá uma leitura de textos de Manuel Bastos, no espaço da Contagiarte, no Porto, na presença do próprio autor, a que se seguirá uma breve conversa com a equipa do espectáculo.

FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA
Autoria|Manuel Bastos Direcção|Mário Trigo Dramaturgia|Paulo Campos dos Reis Criação e interpretação|Filipe Araújo, Susana Gaspar e Mário Trigo Movimento e assistência de direcção|Diana Alves Fotografia|António Rodrigues Grafismo|Alex Gozblau Produção Executiva|Pedro Alves Produção|teatromosca e Teatro Focus Co-produção|Fábrica da Pólvora - Clube Português de Artes e Ideias Apoio|Câmara Municipal de Sintra, Associação Cultural Terra na Boca, As Boas Raparigas, Chão de Oliva, 5àSEC (Rio de Mouro), Rádio Clube de Sintra, Jornal de Sinta, Correio da Cidade, Artistas Unidos, Actual Sintra e Sporting Clube de Lourel

 

 

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