A Última Gravação de Krapp
de Samuel Beckett
Estreado na Associação Abril Em Maio, em Lisboa, em Julho de 2002, este monólogo do escritor irlandês Samuel Beckett foi ainda apresentado no festURZE - Festival de Teatro de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Outubro de 2002. O espectáculo com encenação de Paulo Campos dos Reis, foi reposto em Sintra no dia 22 de Maio de 2003 e ficou em cena, de Quinta a Sábado, às 22 horas, até 21 de Junho, nas antigas instalações da Cadeia da Comarca de Sintra.
SINOPSE
O monólogo de um escritor de 69 anos - Krapp - que, anualmente, por altura do seu aniversário, repete um melódico e singular exame de consciência: com o auxílio de um gravador, noite fora, ouve gravações áudio contendo antigos relatos de diversos episódios da sua vida (em jeito de diário falado) e procede, depois, à gravação de novo registo onde comenta criticamente o que acaba de ouvir.

SOBRE "A ÚLTIMA GRAVAÇÂO DE KRAPP"
"Em A Última Gravação de Krapp que é, provavelmente, o texto para teatro mais perfeito de Beckett, uma única personagem é dobrada e, depois, triplicada, através da utilização de uma invenção mecânica de ponta: o gravador de fita magnética. Por intermédio da fita pré-gravada, este aparelho torna possível o diálogo entre um velho de 69 anos e um homem de meia idade, ambos a mesma pessoa- Krapp-, trocando-se piadas sarcásticas acerca do jovem que, em tempos, foram. A inovação técnica suporta a estrutura que mantém a experiência real à necessária distância emocional, de tal modo que poucas sensações são tão pungentes no teatro moderno como a visão deste velho nojento, aturdido pela bebida, ouvindo-se mais novo, perguntando rectoricamente 'O que fica de toda esta miséria'? (...)"
"(...) A peça foi, desde logo, reconhecida como uma pequena obra-prima."
"(...) Roy Walker [em artigo escrito em Dezembro de 1958, para a Revista Twentieth Century] observou que este solilóquio encontrou pela primeira e, provavelmente, última vez, a forma que combina a máscara imóvel e a mobilidade da face, mímica e discurso, monólogo e diálogo, oferecendo todas as suas variadas potencialidades para um intérprete'."
John Fletcher in "A Faber Critical Guide- Samuel Beckett", faber and faber, London, 2000

SOBRE O AUTOR (BIOBIBLIOGRAFIA SUMÁRIA)
Samuel Barclay Beckett nasceu no dia 13 de Abril de 1906, em Foxrock (a sul de Dublin), segundo filho de William Frank Beckett, topógrafo, e Mary Beckett. Em Outubro de 1923 iniciou, no tradicional Trinity College, em Dublin, o estudo de Filologia Românica e Literatura Moderna. Em 1928, o Trinity College envia-o por dois anos como Leitor para Paris, onde ensina inglês na École Normale Supérieure. Conhece James Joyce e ingressa no seu círculo de amigos. Em Junho de 1929, publica o seu primeiro conto - "Assumption"- na revista "Transition" e, em simultâneo o ensaio sobre Joyce "Dante... Bruno. Vico... Joyce". Em 1930, regressa como leitor de francês ao Trinity College. Dois anos depois, demite-se, por escrito, da sua actividade como docente. Em 1932 escreve o romance "Dream of Fair to Middling Women" (fragmento não publicado). O seu pai morre em 1933 e, a partir desta data, inicia uma vida de exílio. Conclui os contos da antologia "More Pricks Than Kicks". Em 1936 conclui o seu romance "Murphy". Em 1938 entabula amizade com a pianista Suzanne Dumesnil, que se torna sua companheira. Depois de 14 de Junho de 1940, data da ocupação nazi de Paris, trabalha como secretário e "correio" para um grupo da Resistência. Em 1942, fugido da Gestapo, refugia-se com a mulher numa aldeia montanhosa do sul da França desocupada. Em 1943-44 escreve "Watt". Em 1945, trabalha como intérprete num hospital civil da Cruz Vermelha Irlandesa. Faz serviço entre Saint Lô (Normandia) e Paris. Em 1946 escreve o romance "Mercier et Carmier". Em 1947, escreve a peça de teatro "Eleutheria" e, um ano depois, o romance "L'innommable". Em 1950 morre a sua mãe. Em 1951 publica "Molloy" e "Malone Meurt". Em 1952 edita "En attendant Godot" que, um ano depois, estreia em Paris, numa encenação de Roger Blin. Em 1956 começa um romance em inglês, desiste da tentativa e publica o fragmento sob o título "From an abandoned work". Escreve a peça radiofónica "All that fall" e a pantomina "Acte sans paroles I". Em 1958, escreve "Krapp's last tape". Em 1961, ganha o Prémio Internacional dos Editores (partilhado com Jorge Luís Borges) e conclui a peça de teatro "Happy Days". Em 1968, escreve a peça de teatro "Breath". A 23 de Outubro de 1969, é-lhe atribuído o Prémio Nobel da Literatura. Escreve e encena "Nacht und Traume" e "Quad" para a Suddetschen Rudfunk, de Estugarda, em 1981, e, no mesmo ano, surgem "Ohio Impromptu", "Rockaby" e o texto em prosa "Mal vu mal dit". Em 1982, escreve a peça de teatro "Catastrophe" (para Václav Havel), o texto em prosa "Worstward ho", e a sua última peça de teatro "What where". Morre no dia 22 de Dezembro de 1989, com 83 anos.
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FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA
Autoria|Samuel Beckett Tradução|Francisco Luís Parreira e Paulo Campos dos Reis Encenação e Dramaturgia|Paulo Campos dos Reis Interpretação|João Miguel Rodrigues Sonoplastia|Carlos Arroja Fotografia|António Rodrigues Design Gráfico|Heitor Fonseca Operação de som e luz|Paulo Cunha Produção executiva|Pedro Alves e Paulo Campos dos Reis Produção|teatromosca Apoios|Câmara Municipal de Sintra, General Cable CelCat, Cabicom Lda., Cable Plus, Luzeiro, Utopia Teatro, Associação Juvenil Rostos Cobertos, Teatroesfera e Grupo 93 de Sintra da Associação de Escoteiros de Portugal.